Leitura do livro "Pedagogia da Autonomia"
Na minha leitura deste livro, achei algumas passagens que me trouxeram algumas reflexões sobre as questões sociais na nossa cultura. Então, resolvi compartilhar aqui com vocês, alguns trechos para pensarmos sobre o que Paulo Freire "Grande Educador" escreveu nesta obra.
" Nem a arrogância é sinal de competência nem a competência é causa da arrogância. Não nego a competência, por outro lado, de certos arrogantes, mas lamentos neles a ausência de simplicidade que, não diminuindo em nada seu saber, os faria gente melhor. Gente mais gente".
" Se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não devo, de outo, negar a quem sonha, o direito de sonhar. Lido com gente e não com coisas".
" Não podemos nos pôr diante de um aparelho de televisão "entregues" ou "disponíveis" ao que vier. Quanto mais nos sentamos diante da televisão - há situações de exceção - como, quem, em férias, se abre ao puro repouso entretenimento, tanto mais risco corremos de tropeçar na compreensão dos fatos e de acontecimentos. A postura crítica e desperta nos momentos necessários não pode faltar".
" O Sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na História".
" Minha segurança se funda na convicção de que sei algo e de que ignoro algo a que se junta a certeza de que posso saber melhor o que já sei e conhecer o que ainda não sei. Minha segurança se alicerça no saber confirmado pela própria experiência de que, se minha inconclusão, de que sou consciente, atesta, de um lado, minha ignorância, me abre, de outro, o caminho para conhecer".
" Me sinto seguro porque não há razão para me envergonhar por desconhecer algo".
" Estar disponível é estar sensível aos chamamentos que nos chegam, aos sinais mais diversos que nos apelam, ao canto do pássaro, à chuva que cai ou que se anuncia na nuvem escura, ao riso manso da inocência, à cara carrancuda da desaprovação, aos braços que se abrem para acolher ou ao corpo que se fecha na recusa. É na minha disponibilidade permanente à vida a que me entrego de corpo inteiro, pensar crítico, emoção, curiosidade, desejo, que vou aprendendo a ser eu mesmo em minha relação com o contrário de mim. E quanto mais me dou à experiência de lidar sem medo, sem preconceito, com as diferenças, tanto melhor me conheço e construo o meu perfil".
Nós, preconceituosos com relação a minoria, observo neste trecho logo abaixo, que o preconceito é o conceito de um objeto na qual se generaliza uma característica ruim ou negativa, na verdade, o que muda é o objeto do preconceito, que por vezes aparece contra o pobre, negro, mulher entre outros.
"Faz parte de pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia. Quão longe dela nos achamos quando vivemos a impunidade dos que mataram meninos nas ruas, dos que assassinam componentes que lutam por seus direitos, dos que discriminam os negros, dos que inferiorizam as mulheres. Quão ausentes da democracia se acham os que queimam igrejas de negros porque, certamente, negros não têm alma. Negros não rezam. Com sua negritude, os negros sujam a branquitude das orações...A mim me dá pena e não raiva, quando vejo a arrogância com que a branquitude de sociedades em que se faz isso, em que se queimam igrejas de negros, se apresenta ao mundo como pedagoga da democracia. Pensar e fazer errado, pelo visto, não têm mesmo nada a ver com a humildade que o pensar certo exige. Não têm nada a ver com o bom-senso que regula nossos exageros e evita nossas caminhadas até o ridículo e a insensatez".
obs: apareceram muitos trechos interessantes neste livro, como não posso colocar o livro todo, que é muito bom, destaco aqui os que mais mexeram comigo. Isso não impede que você como um bom curioso ou curiosa, não leia este livro na íntegra.
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