Agência Mestre - Por quê a Saúde Mental não é um investimento nas Empresas?
Diante
do nosso modelo de produção pós-moderno em que se trabalhamos mais
em menos tempo com a baixa qualidade, não é de se pensar que com a
gestão de recursos humanos seja diferente, em que se pensa em
pessoas que produzam mais e menos tempo e com menos recursos
possíveis. Esta realidade em que se têm pessoas enquanto recursos a
serem otimizados, reduzidos ou explorados, geram uma lógica doentia
de excesso de trabalho, o que o Dejours chamaria de (carga de
trabalho em excesso), níveis de responsabilidades altos que vem a
gerar tensões e fadiga. Doenças mentais que não são enxergadas
aparecerem assumindo diversas roupagens como: incidentes, acidentes
de trabalho, DORT, burnout,
ansiedades, depressões dentre outras. A Saúde vista de forma
atravessada como um setor que apóia uma empresa é vista como uma
escora ou esteio, pois estará sempre esperando algo de ruim
acontecer para ser acionada. Os profissionais da saúde e da gestão
deixam a desejar de atitudes e programas de prevenção, faltam
pessoas mais implicadas com a formação, com a atualização
profissional, há uma escassez investimento em treinamentos e pessoas
bem preparadas para assumir postos de tamanha responsabilidade. São
vidas e mais vidas, vistas de um olhar unibinocular, quando não é
identificado algo físico ou concreto (lesão grave), não é tão
importante, pois o fator “psicológico” é só um fator que “dá
e passa” – como é visto de forma menos importante, aquela
sequela ou vivencia repetidas vezes, por um longo período de
exposição geraria um trauma maior. Os gestores assumem uma postura
de preocupar-se com algumas coisas interessantes para eles, e
definirem prioridades para uma maior produção, nem que isto tenha
que custar horas-extras, desqualificação do profissional mais
requisitado, demissão e outras medidas que são tomadas em
retaliação a algumas posturas impositivas dos que estão no poder.
Falando em poder, não esquecemos de nosso filosófo Michael Focault
– que descreve as tecnologias do poder, que são muitas.
pergunta-se: O poder, a troco de quer? De um status de poder, de
decisão, são muitos que se sentem bem mandando, impondo suas
vontades, ou, até mesmo aqueles que tem o prazer de contrariar um
submisso ou serviçal. Diante do exposto, quem tem o poder
(autonomia) tem um grau de saúde mental alto conforme pesquisas
descritas, e para ele apesar de muito trabalho, há ganhos
secundários. Porém, quem tem um nível de decisão baixa, tem
medos, e assim cria mecanismos de se defender, como: reduzir a
produção, informar que desconhece alguns assuntos ou que não é
atribuição deles, executar trabalhos sem parar podendo levar ao
karoshing.
Entre os “fracos”, que sofrem com os “abusos do sistema” e os
fortes!
Pergunta-se:
Seria de interesse dos gestores investir em Saúde Mental na
organização? Seria uma necessidade de dinheiro bem aplicado, se não
se ver aplicabilidade? Por que não se cobra mais investimento? Por
que se cria uma lógica de lucros quando se pensa em trabalhar com
pessoas? A saúde está vendida a lógica do lucro e não somente ao
trato do ser humano? Até mesmo, o pensamento é lucrativo, só se
faz se receber algo em troca que se beneficie. Não podemos falar de
maus políticos, de maus gestores, de maus profissionais de forma
genérica. Podemos sim falar de pessoas que de forma individual,
constroem maus hábitos, e que estes maus hábitos transformam
organizações e instituições. Sendo que de Organização por
organização, é feita de um “eu”, que com “eus”, formamos
um nós para tocarmos ações mais fundamentadas e pautadas na saúde
mental dentro das organizações!
créditos de imagem: http://www.morguefile.com/archive/#/?q=trabalhador&sort=pop&photo_lib=morgueFile
Pensando
sobre a Saúde Mental nas organizações;
Autora:
Emmanuela Loiola
Data : 19/09/2014
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